Cachaça Pavão é eleita a Melhor Cachaça Branca do Estado de São Paulo
- Diego Pavão
- 16 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
A melhor cachaça branca de São Paulo nasce em Pirassununga
O lançamento das Rotas da Cachaça de São Paulo, realizado em 11 de dezembro de 2025, serviu como termômetro de um setor que deixou de ser apenas tradição para se tornar estratégia econômica. Entre políticas públicas, turismo rural e critérios técnicos mais rigorosos, um rótulo se destacou acima dos demais: a Cachaça Pavão, eleita 1º lugar como Melhor Cachaça Branca do Estado no II Concurso Estadual de Qualidade da Cachaça Paulista.
A premiação, promovida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, ocorreu simultaneamente ao anúncio das novas rotas agroturísticas e reforçou um sinal claro ao mercado: qualidade, rastreabilidade e técnica passaram a ser ativos centrais da cachaça paulista. Em um universo de 130 amostras avaliadas, número 60% superior ao da edição anterior, a vitória da Pavão Prata chama atenção por ocorrer justamente na categoria mais exigente do concurso.
A cachaça branca é o teste definitivo do produtor. Sem passagem por madeira, não há margem para maquiagem sensorial. O que se prova no copo é o domínio da fermentação, o corte preciso da destilação e o controle absoluto do processo. Ao liderar essa categoria, a Cachaça Pavão transforma reconhecimento técnico em posicionamento de marca.
O resultado também recoloca Pirassununga no centro da conversa. Historicamente associada à produção de cachaça em São Paulo, a cidade passa a simbolizar uma nova fase do destilado: menos folclore, mais excelência mensurável. Em um Estado que já é o maior produtor e exportador de cachaça do país, conquistar o topo da categoria Branca equivale a assumir protagonismo nacional.
“O concurso estabelece padrões técnicos e sensoriais que elevam a credibilidade da bebida e dão segurança ao consumidor. Mais do que premiar rótulos, ele induz boas práticas e fortalece o setor”, afirma José Carlos de Faria Júnior. A declaração ajuda a explicar por que a premiação ganhou peso estratégico em apenas dois anos.
Um novo mapa para a cachaça paulista
O reconhecimento da Cachaça Pavão ocorre dentro de um movimento mais amplo. As Rotas da Cachaça de São Paulo conectam 8 rotas e 2 destinos, espalhados por 65 municípios, integrando alambiques, museus, pousadas temáticas e experiências gastronômicas. A iniciativa se soma às rotas já consolidadas do Café, do Vinho e do Queijo, ampliando o portfólio do agroturismo paulista.
“Não se trata apenas de turismo, mas de valorização da cadeia produtiva e abertura de novos mercados”, resume Guilherme Piai. Para marcas premiadas como a Pavão, esse ambiente cria condições para transformar excelência técnica em narrativa, visitação e valor agregado.
Profissionalização como política pública
O evento também marcou o lançamento da linha Alambique Legal, do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista, com foco na formalização sanitária e regulatória dos produtores. Integrada ao programa Artesanal + Legal, a iniciativa destina R$ 3 milhões ao segmento, reforçando a tese de que qualidade e regularização caminham juntas.
Na avaliação da presidente da Câmara Setorial da Cachaça do Estado de São Paulo, Laura Vicentini, o momento é estrutural. O concurso paulista foi o primeiro do país a tornar obrigatória a análise química, elevando o padrão técnico e influenciando iniciativas similares em outros Estados.
O recado do mercado
Ao conquistar o título de Melhor Cachaça Branca de São Paulo, a Cachaça Pavão não apenas vence um concurso. Ela sinaliza uma mudança de patamar da bebida brasileira mais emblemática. Em um setor que amadurece rapidamente, o prêmio funciona como selo de confiança para consumidores, distribuidores e mercados internacionais atentos ao que vem do Brasil.
No novo ciclo da cachaça paulista, excelência deixou de ser discurso. Passou a ser critério. E, em 2025, esse critério tem nome, origem e transparência no copo.




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